Os truques da Câmara Municipal da Trofa – Parte 1

por César Alves 0

           Terminou, no passado domingo, a Expotrofa 2017, certame anual de grande envergadura na realidade trofense. Música, artesanato, diversões e convívio da comunidade foram as linhas que observei, tendo marcado presença na grande maioria dos dias do evento, que decorreu de 1 a 9 de julho.

            Aos 21 anos, foi talvez a edição na qual estive mais atento, tentando pesar os prós e contras do evento, procurando perceber o que está para além do óbvio e do visível. Porque isto com política não se brinca, sobretudo em ano de eleições. Na Trofa, muito menos.

            E o grande problema disto mesmo é a falta de um pensamento crítico sobre o que nos rodeia, no que a questões políticas diz respeito. Talvez aqueles que pensam, os “hereges desnaturados”, como eu, soem a paranoicos, por vezes, raras vezes. Mas a verdade é que já vimos tanta coisa, de tantos lados, que o nível de confiança é historicamente mínimo.

            É preciso ter consciência do que se passa à nossa volta, sobretudo quando estamos em ano de eleições, em que vamos poder exercer o nosso direito de voto, conquistado contra um regime opressor e inimigo da liberdade de expressão (onde, por vezes, o atual executivo trofense se parece inspirar, mas já lá vamos), e numa área tão sensível a questões menos éticas e menos legais como a política. A área não tem culpa, alguns abutres que lá andam é que sim.

            Neste contexto de necessidade de análise e escrutínio, urge ir para além do que nos tentam mostrar. Esta semana, já tivemos uma perspetiva diferente sobre a colocação dos cartazes da coligação Unidos pela Trofa, que se recandidata a novo mandato. Que ninguém tenha dúvidas que os departamentos de comunicação pensam nisto. Nada, ou quase nada, é recheado de inocência; Também já discutimos o caráter eleitoralista da obra da Alameda da Estação que, pese embora o seu calendário e a sua incompletude, é formidável e deve encher de orgulho todos os trofenses, relembrando que já com o anterior executivo, de Joana Lima, o Parque das Azenhas teve igual sina. Enfim, tudo normal em época de eleições.

            No entanto, e talvez seja de eu ser um miúdo e só no passado recente me ter instigado a ser ainda mais crítico e atento, a aparente manipulação das populações vai mais longe. E é tão simples que chega a ser genial.

            No site da Câmara Municipal da Trofa, qualquer um de nós pode ler o seguinte, num artigo alusivo à Expotrofa 2017:

 

A Trofa será de 1 a 9 de julho, a capital dos sabores, do associativismo, do artesanato e da divulgação empresarial.

Imagem: Município da Trofa 

 

            Para os olhos mais desatentos, esta afirmação parece inocente e enquadrada numa realidade e numa gestão municipal normal, orientada pelos princípios democráticos de um Estado de direito. Infelizmente, não é a situação que vivemos na Trofa.

            Esta frase é errada, enganadora e manipuladora, pois é escrita durante o curso de uma situação gravíssima da qual está a ser vítima o Clube Slotcar da Trofa. Como é possível ler em comunicado dos representantes da direção da associação, publicado no jornal O Notícias da Trofa e disponível para leitura na sede do clube, a Câmara Municipal da Trofa adiou uma resposta sobre a «candidatura, anual, à atribuição de apoios para a execução do seu plano de atividades para o ano de 2016», culminando com uma argumentação opressora por parte do Vereador Renato Pinto Ribeiro, em reunião do Conselho Municipal da Juventude, que afirmou, após enunciar dois pontos relacionados com documentação legal, segundo o relator Sérgio Araújo, que a Câmara Municipal da Trofa não faz protocolos com «com nenhuma instituição cujos membros da direção colocam constantemente em causa a gestão municipal, por vezes de forma difamatória».

            A  minha questão como jovem, como participante em atividades do Clube Slotcar da Trofa e como munícipe e cidadão votante, é a seguinte: como é que a Câmara Municipal da Trofa se pode apelidar como a capital do associativismo, quando trata uma associação do concelho com trabalho demonstrado e reconhecido dentro da cidade da Trofa e fora dela, com um impacto enorme nas crianças e nos jovens do concelho e com uma linha orientadora que fomenta a cultura, o desporto e o crescimento sustentado das gerações mais jovens, desta forma?

            Mais questiono: onde está a dignidade deste órgão administrativo, com responsabilidades máximas para com o município e os seus munícipes, quando atenta contra a liberdade de expressão de uma forma tão bacoca?

            Caro leitor, desengane-se. A Trofa não é a capital do associativismo. A Trofa é a capital daqueles que bajulam o regime e contra ele nada dizem. A Trofa é daqueles que assobiam para o lado e gritam pelo seu partido de forma cega, vazios de consciência, aqueles para os quais o que mais importa é ficar bem nas fotografias junto da classe política. Ao contrário do que dizem os cartazes, não temos um Presidente para Todos, mas sim um Presidente para aqueles que não ousam levantar a voz e dizer aquilo que pensam.

Imagem via Poems by Kevin

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