Sérgio Humberto e Amadeu Dias: a diferença está nos detalhes

por João Mendes 0

Após muita especulação, o Partido Socialista apresentou o seu candidato à CM da Trofa, numa movimentação que deixou muitos trofenses surpresos, grupo onde me incluo. Amadeu Dias, actualmente líder da JS Trofa, será o rosto dos socialistas na corrida às Autárquicas deste ano.

É interessante verificar os pontos em comum que a candidatura de Amadeu Dias tem com aquela que foi protagonizada em 2013 pelo actual presidente da câmara, Sérgio Humberto. Ambos entram na corrida muito jovens, sem experiência e nenhum deles seria a escolha natural dos seus partidos. No caso do PS, Magalhães Moreira seria aquele que, na minha opinião, estaria melhor posicionado. No caso da coligação, em 2013, ainda está por explicar como é que António Azevedo, com décadas de funções autárquicas e uma obra que fala por si na extinta junta de Santiago de Bougado, foi preterido em detrimento de Sérgio Humberto, cuja experiência, tal como a de Amadeu Dias, se resumia até então a cargos internos no seio do seu partido, aos quais mais vezes se chega por amiguismo e/ou intrigas partidárias do que por mérito.

Em 2013, o PSD dispunha de outras alternativas, mais experientes e versadas nas lides autárquicas, como o já referido António Azevedo, António Pontes ou José António Barbosa, um orador que deixou saudades na Assembleia Municipal, apenas para citar alguns nomes. Em 2017, também o PS dispunha de outras opções, como Teresa Fernandes, Manuel Silva ou o já referido Magalhães Moreira. Ambos, cada um a seu tempo, optaram pela renovação.

Curricularmente, não se vislumbram grandes diferenças entre os dois candidatos, no momento em que arrancaram as respectivas candidaturas, com a diferença que Amadeu Dias não foi profissional de futebol, o que de resto acrescentaria um redondo zero no que a gestão autárquica diz respeito. Tampouco se lhe conhece qualquer tacho público principesco. Ambos desempenharam várias funções no interior dos seus partidos, ambos são professores e ambos têm ligações a diferentes entidades e associações locais. Resta-nos saber o que têm para propor aos trofenses, para lá dos chavões de campanha que vamos ouvindo, e que de resto valem para já muito pouco. Espero que nos apresentem os seus programas atempadamente e não em cima do acto eleitoral, como vem sendo habitual.

É legítimo afirmar que os percursos de Sérgio Humberto e de Amadeu Dias partilham muitos pontos em comum. Contudo, existem alguns “detalhes” que, para já, distinguem, e de que forma, a campanha de 2013 de Sérgio Humberto do percurso que Amadeu Dias agora percorre. Poderia aqui falar sobre o grau de motivação das tropas, ou sobre a falta de escrúpulos das mesmas – e neste capítulo recordo que ficou provado em tribunal que Amadeu Dias foi uma das vítimas de uma emboscada violenta protagonizada por elementos da JSD e do PSD em Maio de 2013, um triste episódio de mentiras descaradas e absoluto desrespeito pelos trofenses – como poderia focar a diferença de recursos de uma e outra campanha, num concelho tradicionalmente laranja. Mas, para já, prefiro saudar Amadeu Dias por não enveredar pelo caminho fácil e sujo de estar por trás de um jornal de propaganda, travestido de imprensa livre, com o intuito de manipular a população e levar a cabo um assassinato de carácter do seu oponente, como este fez com a sua antecessora. Não chega para levar o meu voto, é certo, mas é um bom começo que inspira alguma esperança na necessária higienização da política trofense, com um triste historial de golpes baixos. Que não desiluda e que faça uma campanha limpa, sem esquemas ou aldrabices de Photoshop. E que não aldrabe os trofenses com promessas que não pode cumprir. Seria um grande avanço.

Fotomontagem: O Notícias da Trofa/Porto Canal

(originalmente publicado na edição de 13 de Julho do jornal O Notícias da Trofa)

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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