Autárquicas 2017: o meu candidato preferido

por José Maria Moreira da Silva 0

A campanha eleitoral, para as eleições autárquicas 2017, decorre entre 19 e 29 de setembro, só que na prática as candidaturas já estão na estrada há algum tempo. A antecipação da data da campanha eleitoral tem mais a ver com a necessidade dos candidatos se apresentarem ao eleitorado, do que da divulgação de propostas, que deverão ser conhecidas mais perto da data das eleições.

Como declaração de interesses afirmo solenemente que sou ferverosamente contra a eternização do poder, por isso sou a favor da lei que limita os mandatos autárquicos. Não é da minha simpatia o regresso anunciado de alguns “dinossauros”, que me fazem um arrepio na espinha e me convidam a nem sequer hesitar, se for necessária a escolha deste tipo de candidaturas, pois cheiram a um passado bafiento de putrefação. As autarquias estão sedentas de mentes equilibradas, livres e arejadas, e não mentes com ideias pré-concebidas, enfeitadas com bolor e teias de aranha.

O meu candidato preferido tem de ter mente aberta, livre de preconceitos, muito humano, um exemplo para a sociedade, um apaixonado pela humanidade, que aposta no ser humano e sabe que o sentido da sua missão é servir os cidadãos e contribuir para a sua felicidade. Tem de compreender que o poder político deve ser usado para promover as pessoas e não para as subjugar ou silenciar, e deve entender que contribuir para a sociedade não é um sacrifício nem propaganda política, mas um ato de pura cidadania que proporciona um imenso prazer.

O meu candidato preferido tem de ter a superior capacidade de saber superar o medo do que é novo, de novos ambientes, de novos desafios, de novas realidades, pois o mundo está em constante mutação. Tem de conhecer muito bem a arte da dúvida e não pode ser uma marioneta ou um simples joguete de ambientes, circunstâncias e interesses.

O meu candidato preferido tem de saber enfrentar com dignidade a crítica e aceitar com agrado ser questionado, para além de ter de saber reconhecer os seus erros e fazer autocrítica regularmente. Tem de ser coerente e flexível na análise dos problemas, mas tem de ter ousadia suficiente para refazer os seus caminhos.

O meu candidato preferido tem de ter consciência que é um eterno aprendiz, mas deve ser determinado, seguro, decidido e cumpridor. Tem de saber expressar com respeito o que pensa e sente, tem de saber traçar objetivos exequíveis, tem de gostar de trabalhar em equipa, promover a cooperação e estimular os outros a expressarem as suas ideias e as suas opiniões.

O meu candidato preferido tem de ter a faculdade mental para ser criativo, para estimular a visão crítica e para desenvolver a arte de pensar. Não deve castrar a grandeza do debate de ideias, mas sim instigar os outros a expressar os seus pensamentos e os seus pontos de vista, assim como não deve ter a necessidade doentia de controlar os outros e de impor as suas próprias ideias.

O meu candidato preferido tem de ser um defensor dos valores da equidade, da transparência e também amar a liberdade, mas tem de saber que a unanimidade de pensamento é um erro, pois a sabedoria reside no respeito pela diferença e pela divergência. Deve ser um construtor de consensos e tem de saber que a verdade é um fim inatingível, por isso não pode ter a necessidade neurótica de ter sempre razão.

O meu candidato preferido tem de ter cultura democrática e não pode ser vingativo nem fazer retaliações, principalmente a quem não pensa como ele. Não é nem quer ser um pequeno deus que quer que todos gravitem na sua órbita, por isso prima pela excelência nas relações interpessoais.

O meu candidato preferido, para as autárquicas 2017, não deve desprezar a grandeza das pessoas simples e tem de saber fazer-se pequeno para tornar os pequenos grandes. É a este candidato que emprestarei o meu voto. Seguramente! 

(originalmente publicado na edição de 13 de Julho do jornal O Notícias da Trofa)

José Maria Moreira da Silva

A liberdade é muito mais que uma simples escolha; ela alimenta os sonhos dos que não têm medo ou preguiça de sonhar. É a possibilidade de usar a razão, em concordância com o nosso pensamento.

Quero aproveitar este espaço de liberdade, para ser livremente livre naquilo que penso e escrevo, sem qualquer tipo de medos ou amarras.

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