A minha prenda no 4º aniversário

por José Maria Moreira da Silva 0

O blogue mais lido da Trofa faz 4 anos. Por esse facto, o Concelho da Trofa está de parabéns, pois tem sido presenteado assiduamente pelo “E a Trofa é minha”, com nacos de prosa impregnados de um amor genuíno à Trofa e aos trofenses.

Por isso envio os meus sinceros parabéns aos heréticos desnaturados (onde me incluo há mais de um ano), que ousam esmiuçar, sem medos nem clientelas, a realidade política e social da sua terra. Galhardamente continuam a lutar por uma sociedade sem amarras e uma democracia livre de empecilhos.

Em período festivo, não podia deixar de brindar os leitores com um texto sobre a temática “jobs for the boys”. Esta realidade bem portuguesa tem atrapalhado o normal funcionamento da democracia e obstaculiza a sua regeneração.

A expressão inglesa “jobs for the boys” está muito enraizada no léxico da política portuguesa, pois revela uma prática recorrente na distribuição de empregos pelos militantes e simpatizantes que tão afincadamente, ou não, trabalharam no terreno, para que o seu partido se guindasse ao poder. Infelizmente, a competência para o exercício do cargo é na maior parte das vezes secundarizada ou propositadamente escondida.

Esta prática tem sido uma triste realidade quer da governação nacional, quer da governação local, indiferentemente da cor política de quem está sentado no poder. O governante que utilizou essa expressão pela primeira vez, apenas queria garantir que não ia haver empregos para a rapaziada, pois o que afirmou foi no jobs for the boys”.

Só que a vontade do governante de então durou muito pouco tempo, se é que a tinha, pois levantou-se de imediato um coro de protesto dentro do seu partido. O governante não devia frustrar as expetativas da estrutura partidária, que estava preparada para agraciar os “boys” de estimação, com a nomeação generosa para lugares que tanto ansiavam.

Quando estava sentado na cadeira do poder, o padrinho da expressão “no jobs for the boys” nomeou diretamente em três anos mais de meio milhar de “boys” (mais de duzentos para comissões e grupo de trabalho, quase trezentos para cargos diretivos e mais de sessenta para o seu gabinete). “Bem prega Frei Tomás”, pois nesse período de três anos, quase dez mil boys foram nomeados (perto de quatro mil para comissões e grupos de trabalho, quase cinco mil para funções de direção e perto de mil e trezentos os próprios gabinetes de membros do governo).

Há sempre muitos lugares para serem preenchidos pelos “boys”, principalmente depois das eleições. São muitos e variados os organismos que depois das eleições abrem as portas para a nomeação dos “boys” de estimação, desde assessorias, direções, gabinetes, grupos de trabalho, institutos, fundações, mas também de bancos, empresas públicas, intervencionadas, municipais e organizações internacionais.

Alguns lugares de nomeação são bem mais apetecíveis do que outros. A nomeação mais paradigmática foi a de um “boy” que tinha como curriculum ser sobrinho de um ex-governante, ex-primeiro ministro, ex-presidente da república, ex-secretário-geral, ex-deputado e fundador do partido. Esse “boy”, sem qualquer experiência de gestão e com pouco mais de 30 anos de idade foi nomeado administrador executivo da maior empresa portuguesa com capitais públicos auferindo a verba astronómica de 1,2 milhões de euros por ano.

Um caso recente e também extraordinário é do deputado que é presidente do partido e a mulher foi nomeada para a Casa da Autonomia, o irmão foi assessor parlamentar, o filho é deputado regional, a nora é assessora parlamentar e a sobrinha é funcionária superior de uma empresa municipal. Cinco membros da mesma família a viver á custa do erário público é uma verdadeira “boyada”, com a conivência dos “donos da bouça”.

Esta foi a minha prenda ao blogue “E a Trofa é minha” pelo seu 4º aniversário

José Maria Moreira da Silva

A liberdade é muito mais que uma simples escolha; ela alimenta os sonhos dos que não têm medo ou preguiça de sonhar. É a possibilidade de usar a razão, em concordância com o nosso pensamento.

Quero aproveitar este espaço de liberdade, para ser livremente livre naquilo que penso e escrevo, sem qualquer tipo de medos ou amarras.

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