A consistência da CDU Trofa

por João Mendes 0

Absorvido pelo PSD desde 2013, o CDS-PP Trofa tornou-se praticamente irrelevante do ponto de vista eleitoral. Serviu o propósito de acrescentar os votos que faltavam para derrotar Joana Lima, apesar da contrapartida não ser mais que um quarto lugar na lista da coligação, o que ainda assim lhe valeu um vereador, mas pouco ou nada se vê ou ouve da parte dos centristas da Trofa. Não se lhes conhecem grandes iniciativas fora do âmbito eleitoral, resumindo-se a sua actividade, no que ao espaço mediático diz respeito, a entrevistas ocasionais de Renato Pinto Ribeiro ao pasquim criado pela máquina eleitoral da coligação e a esporádicas e tímidas intervenções em sede de Assembleia Municipal. Tirando isto, é quase como se não existisse.  

À esquerda do bloco central trofense, porém, o processo eleitoral autárquico tem outros rostos e processos autónomos. Independentemente das limitações com que uma estrutura como a CDU se depara num concelho tendencialmente conservador e dominado pelo poderoso aparelho laranja, a verdade é que nunca se inibe de apresentar os seus candidatos e as suas propostas. Se a memória não me falha, e à parte da expectável recandidatura de Sérgio Humberto, a coligação PCP/PEV foi a primeira a dar a conhecer quem se perfila para disputar os lugares em disputa nas autárquicas deste ano.

Na disputa com Isabel Cruz pela presidência da Assembleia Municipal está Paulo Queirós (PCP), que representa a CDU no mandato ainda a decorrer neste órgão do poder local. O dirigente comunista foi para mim um dos grandes destaques do corrente mandato, pautando a sua intervenção pela objectividade e por um discurso sóbrio e construtivo, apresentando e defendendo as propostas da CDU e executando sozinho um trabalho que, no PS como na coligação, é executado por uma série de pessoas. Paulo Queirós é, sem sombra de dúvida, um dos representantes mais bem preparados da Assembleia Municipal da Trofa. Um representante que não perde tempo com encenações ou propaganda e que domina todos os grandes temas em discussão. A léguas de uma série de boys que poluem o panorama político trofense.

Na corrida para a liderança da CM da Trofa surge Fernando Sá, um jovem sindicalista e operário na multinacional Continental, dirigente local do Partido Ecologista Os Verdes. Na apresentação da sua candidatura, Fernando Sá assumiu o compromisso de “construir um concelho mais justo, mais equilibrado e ambientalmente mais sustentável para todos”, defendo a aposta na mobilidade, essencialmente focada no reforço e utilização dos transportes públicos, área onde o concelho da Trofa é ainda altamente deficitário, tema que de resto já aqui foi trazido pela Silvéria Miranda.

Para as freguesias surgem nomes bem conhecidos destas andanças como Miguel Alexandre (Bougado) e Conceição Silva (Coronado), a que se junta o jovem Sérgio Silva (Muro). Desconheço a existência de candidatos às freguesias de Alvarelhos e Guidões e de Covelas, mas parece-me haver ainda muito tempo para a apresentação de propostas e candidatos. Em todo o caso, e aqui faço a devida vénia, não é apenas na prestação de Paulo Queirós na Assembleia Municipal que se vê a consistência da CDU Trofa. É, acima de tudo, na capacidade de mobilização e combate que partidos como o CDS-PP e o BE não parecem ter. O BE Trofa, que surpreendeu em 2013, encontra-se hoje em parte incerta. Já o CDS-PP Trofa deixou-se engolir pela máquina “humbertista”. A CDU, contudo, segue o seu caminho e poderá surpreender na noite eleitoral. Depois de em 2013 ter obtido um crescimento na casa dos 44% face aos resultados de 2009, a CDU poderá ser a opção natural para os 470 votantes que escolheram o Bloco no sufrágio anterior.

Nas Legislativas de 2015, CDU e BE conseguiram mais de 3 mil votos na Trofa. Sim, eu sei que são contas de outro rosário, mas em política não há vencedores antes do fecho das urnas. Bastaria à CDU conseguir eleger um vereador, num cenário em que PS e coligação elegem 3 cada, para baralhar as contas do poder na Trofa. Para mim, que sou avesso a maiorias absolutas, poderia ser uma boa oportunidade para ver a democracia funcionar no nosso concelho. Já são anos demais a aturar autoritarismo e prepotência.

Imagem via Facebook CDU Trofa

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

Deixar um comentário

Faça Login para comentar.