Jaime Moreira, a estagnação (e os concursos públicos-fantasma) no Coronado e a herança do PSD

por João Mendes 0

Estive a ler os compromissos para as freguesias de São Romão e São Mamede da candidatura PSD/CDS-PP, encabeça pelo ex-vereador Jaime Moreira. É interessante verificar, e isto, na minha opinião, aplica-se a todas as freguesias, que a maioria dos compromissos da coligação são literalmente as funções habituais de uma freguesia: garantir limpeza e manutenção dos espaços públicos, construir passeios e repavimentar arruamentos, medidas de apoio social, com forte tónica na população idosa, algumas obras públicas, com destaque para a requalificação da Quinta de São Romão e da capela mortuária de São Mamede e uma ou outra medida que mais não são do que as obrigações normais de quem exerce o cargo. São medidas de importância, não coloco isso em causa, mas pouco ambiciosas, pelo menos quando consideramos a dimensão daquelas freguesias.

Mas ver o candidato do PSD Trofa aos Coronados falar em estagnação na freguesia, traz-me imediatamente à memória que foi graças ao executivo que ele integrou que a Trofa se enterrou em dívidas e se transformou num dos concelhos mais endividados do país. Que foi no seu tempo que se abriram concursos públicos fantasma para obras já feitas. Que foi sob a batuta desse mesmo executivo que se deram os trabalhos de requalificação do pavilhão gimnodesportivo do Coronado, união de freguesias a que se candidata, cujo custo ascendeu a aproximadamente 125 mil euros, valor que obrigaria, por lei, à abertura de um concurso público, um dos tais que abriu depois de concluída a obra, o que é todo um hino à honestidade e à transparência. Abrir um concurso público de uma obra já feita, sabendo-se à partida qual a empresa que vai ganhar, é gozar com a cara das pessoas.

Sobre este caso, por altura do julgamento a que vários elementos do executivo Bernardino Vasconcelos foram sujeitos e do qual foram ilibados, como de resto acontece em 99% das vezes em que um político é levado a tribunal – como aconteceu com Joana Lima, o que ainda assim não a livrou das críticas dos social-democratas – referiu o DCIAP:

Conhecendo-se, à partida, o valor total da adjudicação, uma vez que as obras se encontravam realizadas, verifica-se que se optou deliberadamente por organizar à posteriori um tipo de concurso não conforme com o mais solene exigível, simulando-se, por isso a realização de trabalhos a mais, de forma a poder organizar um concurso limitado, sem publicação de anúncio, limitando a participação à empresa convidada.

(...) todos os arguidos atuaram de modo livre, voluntário e consciente, conhecendo a reprovabilidade dos seus comportamentos (...) tinham perfeito conhecimento de que, com a sua conduta, causavam evidentes prejuízos ao Estado Português (...) abalavam a verdade intrínseca que os documentos devem merecer para a generalidade das pessoas públicas e privadas

Um dos acusados era precisamente Jaime Moreira. Sobre ele pendiam três acusações de falsificação agravada e outras três de abuso de poder. E, apesar do desfecho do processo, que lhe foi favorável, os concursos públicos que abriram para obras já feitas são factuais e desrespeitam as boas práticas na condução destes processos, bem como os trofenses, que pagam estes arranjos. Uma escolha coerente, portanto. Onde ontem existiam concursos públicos fantasma, hoje existem ajustes directos opacos para amigos e soldados. Sempre com o nosso dinheiro, claro. O tribunal pode ter deixado passar, mas eu, como acredito que muitos trofenses, não nos esqueceremos destas façanhas. Muita da estagnação, não só no Coronado como em todo o concelho, bem como muitos dos impostos hoje em valores elevadíssimos, são a herança do executivo do qual Jaime Moreira era um dos principais oficiais. 

Foto: O Notícias da Trofa

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

Comentários

  1. Sónia  Ferreira

    Boa noite João Mendes . tira-me aqui uma duvida!? é permitido fazer aqui nesta pag. comentários com perfis sem rosto ? bom se é permitido , na minha opinião não deveria ser ! pq as pessoas tem que ser responsáveis pelos seus atos e não estar a esconder a cara .. pq se assim fosse eu tb poderia aqui dizer muita coisa que eu sei , e ninguém me contou eu vi com os meus olhos e ouvi com os meus ouvidos , e nem por isso venho para aqui falar do que sei ! e só pq simplesmente não tenho provas vivas para o provar .. para falar é preciso provar !.

  1. Sónia  Ferreira

    Boa noite João Mendes . tira-me aqui uma duvida!? é permitido fazer aqui nesta pag. comentários com perfis sem rosto ? bom se é permitido , na minha opinião não deveria ser ! pq as pessoas tem que ser responsáveis pelos seus atos e não estar a esconder a cara .. pq se assim fosse eu tb poderia aqui dizer muita coisa que eu sei , e ninguém me contou eu vi com os meus olhos e ouvi com os meus ouvidos , e nem por isso venho para aqui falar do que sei ! e só pq simplesmente não tenho provas vivas para o provar .. para falar é preciso provar !.

  1. Amadeu Jose Bento Machado

    Para mantermos a independência Amigo João Mendes, a par com Jaime Moreira ilibado pela "justiça" que temos não deveria deixar de falar em José Ferreira, actual presidente da junta, averiguado pelo Ministério Público que o acusou e que conseguiu adiar o julgamento para depois das eleições!!! NÃO ACHA??? Já que tanto fala em embustes e outras habilidades... Eu nutro a mesma "simpatia" por ambos. Abraço amigo.

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