Onde estão as transmissões das Assembleias Municipais de 2016 e 2017, a que a lista da coligação vai dar continuidade? Serão as da Trofa TV?

por João Mendes 0

Uma das medidas que elogiei, e que a meu ver merece ser amplamente elogiada, levada a cabo pela presidente da Assembleia Municipal (AM) em funções, a Dra. Isabel Cruz, dizia respeito à transmissão das Assembleias Municipais em streaming, para posterior disponibilização no site da autarquia. A par com a iniciativa de descentralizar as AM’s, promovendo desta forma uma política de proximidade e integração abrangente, considero ter sido a mais importante iniciativa levada a cabo durante o presente mandato de Isabel Cruz.

Vem isto a propósito do compromisso para os próximos quatro anos, da lista à Assembleia Municipal da coligação Unidos pela Trofa, que continua a contar com Isabel Cruz na liderança. Ao ler os vários pontos que constam deste compromisso, deparei-me com uma estranha incongruência, que passo a explicar. Ora, no oitavo ponto do dito compromisso, podemos ler o seguinte:

“Dar continuidade à transmissão direta das Assembleias Municipais procurando desta forma uma maior responsabilidade de todos os que nela participam e aproximando a Assembleia Municipal dos Trofenses”

Fiquei a pensar com os meus botões: terá sido incompetência de quem escreveu estas linhas? Terá sido distracção? Será que tentaram atirar o barro à parede para ver se colava? Ou serei eu que ando distraído? Não sei. Mas uma coisa eu sei. É que não é possível dar continuidade a algo que aparentemente se descontinuou. Porque a última Assembleia Municipal gravada, transmitida e disponível no site da autarquia, bem como no canal de Youtube da Assembleia Municipal, onde podemos encontrar as transmissões levadas a cabo por iniciativa da actual presidência da AM desde o início do seu mandato, tem data de 28 de Dezembro de 2015.

E isto levanta algumas questões, e insisto que talvez tenho sido eu que não tenha pesquisado bem, mas que me parecem pertinentes: onde foram transmitidas e onde estão alojadas as AM’s de 2016 e 2017? Se não estão no site da autarquia ou no canal de Youtube da Assembleia Municipal, onde estão elas? E, se não foram feitas, exactamente como é que se dá continuidade a algo que deixou de se fazer quase há dois anos?

“Retomar” as transmissões seria, porventura, um termo mais objectivo para caracterizar esta proposta, que espero sinceramente que seja para sair do papel. Até porque, é público, o executivo camarário tentou bloquear as transmissões da Trofa TV, em mais um célebre episódio de tentativa de censura daquele órgão, imiscuindo-se num processo que não é de sua responsabilidade, mas da responsabilidade da Assembleia Municipal. Felizmente, e para bem do normal funcionamento da democracia, o Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas, a quem o executivo camarário se dirigiu, concluiu o óbvio: que sendo as Assembleias Municipais públicas, realizadas em locais públicos, qualquer jornalista tem direito de acesso às mesmas para levar a cabo a devida cobertura informativa, não podendo ser impedido de entrar e permanecer nos ditos locais ou de utilizar os meios técnicos e humanos necessários ao desempenho da sua atividade.

Perante o exposto, deixo daqui um desafio aos nossos leitores, caso queiram comigo colaborar: ajudem-me a localizar as transmissões da responsabilidade da presidência da Assembleia Municipal. É que eu fartei-me de procurar e não dou com elas. Estarão em paradeiro incerto? Será que se referem às transmissões levadas a cabo pela Trofa TV? A transparência, tal maltratada durante estes quatro anos, agradece! E eu, como acredito que muitos trofenses, também!

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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