Parque das Azenhas, 4 anos depois, sem nenhuma ideia nova!

por João Pedro Costa 0

A Trofa moderna, aquela que se autodeterminava relativamente a Santo Tirso, com a criação do concelho em 1998, contemplava o sonho de nascerem obras que beneficiassem as populações locais e atraíssem visitantes.
Das poucas obras que se executaram, falo particularmente de uma levada a cabo pelo executivo de Joana Lima, dando seguimento ao projetado inicialmente por Bernardino Vasconcelos, e que procurava assim concretizar os sonhos dos trofenses – o seu nome, Parque das Azenhas. 
O sonho do papel foi transposto para o terreno, no final de 2012. Era uma decisão estratégica do executivo de então, que canalizou 2,7 milhões de euros para a obra, 85% apoiada por fundos comunitários, e que se assumia corajosa já que implicava expropriações, normalmente envoltas em descontentamentos.
A intenção, boa, a meu ver, era clara: entregar a zona ribeirinha aos trofenses. Com a obra, harmonizava-se a relação com o rio Ave, aproveitando as condições naturais do espaço, dotando a Trofa de uma zona de lazer, tranquila e diferenciadora. 
Simultaneamente, procurava-se preservar a história das Azenhas (dos edifícios), que são vestígios de uma identidade trofense, com as marcas de um passado de outras gerações, a que chamamos raízes.

Mas, um inverno de 2012 chuvoso condicionou o remexer de terras, o que fez arrastar os trabalhos…
No verão (de há 4 anos), a obra decorria a toda a velocidade e as eleições aproximavam-se ainda mais depressa. Num ato insensato, o executivo, liderado por Joana Lima, não resistiu à tentação de levar a cabo uma inauguração polémica, a “dois dias do ato eleitoral”, sendo que apenas um pequeno troço se apresentava com o mínimo de dignidade e a restante obra atrasada, muito atrasada!
Sérgio Humberto berrou alto e em bom som, de que a inauguração era eleitoralista (ironicamente, este edil, por várias vezes no seu mandato imitou a sua antecessora), apontando que tal pretendia capitalizar votos nas urnas. Os focos acenderam-se, assim, no Parque das Azenhas e a eleição disputava-se mesmo por ali. 
O insólito aconteceu, uma tremenda inundação no Parque das Azenhas, em véspera do ato eleitoral de 29 de setembro de 2013, deixou a “nu” Joana Lima, tendo, a meu ver contribuído de forma determinante para a sua derrota eleitoral. A sua jogada ofensiva tinha resultado num contra ataque fulminante da retórica do adversário que capitalizou o descontentamento.
Feliz, Sérgio Humberto subiu ao poder, com a promessa de cumprir o que prometera: encetar ações concretas para concretizar o slogan “o futuro passa por aqui”. 
Depois de 6 meses a fazer levantamentos, solicitou à Assembleia-Municipal a disponibilização de cerca de 500.000 euros adicionais para proceder a recuperações e avançar com a conclusão da obra. Tal foi-lhe concedido, estávamos em abril de 2014.
A reinauguração ocorreu 3 anos depois dessa data! Andou lenta, lentamente ao ritmo dos interesses que certamente não foram os interesses dos trofenses!

Os lamentos de nada valeram, as indignações foram ignoradas e desvalorizadas...! 
Nenhuma comissão de inquérito foi constituída para apurar responsáveis, e perceber se tecnicamente foram acautelados todos os procedimentos! A sina dos trofenses manteve-se: tudo para ser discutido na ótica politica e do poder, para quê remexer novamente nas terras?!
Nenhuma valorização para o Parque foi apresentada pelo executivo que nos governa, ou aberto um espaço de debate público sobre os anseios da comunidade - o que se pretende mais, agora que a parte material (obra) é uma realidade?
Por exemplo, a recuperação das Azenhas para que não se continue a degradar património e história; o prolongamento do percurso até ao Areal de Bairros; projetada a ligação com uma ponte pedonal sobre o rio que nos aproxime de Ribeirão e Lousado; ou criado um pequeno bar de apoio ou um parque de merendas, uma zona especifica para crianças, aproveitar alguma navegabilidade do rio, etc.etc.etc.


Pior ainda, a obra (a parte imaterial, igualmente contemplada por fundos de apoio) contínua inacabada, algumas ideias projetadas ainda não foram executadas! 
Refiro-me às bicicletas, adquiridas no início do ano passado, e que aguardam para ser postas a circular. Porquê?

Passou o verão de 2016 e depois o de 2017 sem que alguém sentisse o peso na consciência, de colocar coisas tão simples a funcionar, não é justo!
Tenho muitas dúvidas de que, assim, o futuro passe mesmo por aqui!

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