Um hotel no centro da Trofa

por João Mendes 0

Um dos motores que vem impulsionando a economia portuguesa, para tristeza dos tarólogos políticos e das suas múltiplas previsões da chegada do diabo, tem sido o turismo. Portugal está na moda, com especial destaque para a cidade do Porto, apesar do intocável centralismo que teima em querer levar tudo para Lisboa, não raras vezes com a ajuda de mulheres e homens do Norte, mais preocupados em servir partidos do que aqueles que os elegeram.

Nos últimos anos, a cidade do Porto foi várias vezes eleita destino do ano, por diferentes entidades internacionais. Prémios à parte, qualquer pessoa que conhece e frequenta a Invicta está perfeitamente a par daquilo que se passa, com as ruas e os restaurantes da baixa a rebentar pelas costuras, a par de um ramo hoteleiro sobrelotado e em constante expansão.

Fruto deste boom turístico, os preços da hotelaria portuense iniciaram um movimento ascendente sem precedentes, que fez disparar os custos e potenciou a construção de novas unidades, que ainda assim se revelam insuficientes para absorver a procura, ao mesmo tempo que os preços sobem para valores a roçar o proibitivo, apesar do custo de vida no Porto estar ainda muito abaixo dos valores praticados nas principais praças europeias.

Assim, tem-se verificado um curioso movimento, protagonizado por turistas que preferem pernoitar mais afastados do centro da cidade, assumindo os custos do necessário transporte, do que se sujeitar aos elevados preços exigidos pela Cidade Invicta. Decorre daqui que a procura começou a aumentar na periferia, tendo já chegado a zonas ultraperiféricas da Área Metropolítica do Porto, como é o caso de Santo Tirso.

Perante este cenário, a confirmarem-se as notícias que correm pelo nosso concelho, que dão conta de um grupo de investidores locais interessado em construir uma unidade hoteleira para competir no segmento do Hotel Cidnay (Santo Tirso), apesar de ainda especulativas, estas serão um excelente indicador de que o nosso tecido empresarial está atento às oportunidades e a esta mudança de paradigma, dando resposta a uma necessidade, que também é sua, ou não fossem as nossas empresas constantemente visitadas por clientes, fornecedores e parceiros, entre outros. E quando as visitas duram mais do que um dia, onde ficam alojadas estas pessoas? No Porto ou no Hotel Cidnay, no concelho vizinho.

Abrir um hotel na Trofa, de preferência numa zona central da cidade, agarrando a oportunidade para reaproveitar a zona histórica, ainda que degradada, da antiga estação ferroviária, beneficiando do bonito enquadramento da Alameda da Estação, poderia ser uma fantástica notícia para o nosso concelho, em especial para o tecido empresarial, já que permitiria, com investido privado, recuperar aquela zona, potenciar a criação de emprego e a economia local, trazer para a Trofa os turistas que ela não tem, que consumiriam nos seus restaurantes, bares e cafés e, eventualmente, noutros sectores do seu comércio local, e permitir que um “forasteiro” possa dormir no centro da nossa cidade, se assim o pretender. Agora que o grupo Vigent, dono da Metalogalva e da Brasmar, se prepara para ocupar as instalações da antiga Ráfia, junto à Igreja Matriz da Trofa, o momento é perfeito. Não podemos perder este comboio.

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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