Câmara Municipal da Trofa e Trofa Digital: o dia em que alguém meteu água e desmascarou uma linda amizade

por João Mendes 0

Sempre acreditei que a relação de, chamemos-lhe proximidade, entre a CM da Trofa e a página Trofa Digital acabaria por ser totalmente exposta, porque chegaria o dia em que uma das partes meteria água, bem para lá das publicações sincronizadas, sobre as quais já aqui falei, dos acessos de imprensa para zonas restritas de eventos públicos, numa terra onde o único órgão de comunicação social que cumpre as regras a que está sujeito vê a sua actividade activamente boicotada por quem dita as regras no município, e das palmadinhas nas costas entre entidades. Pois bem, esse dia chegou. Foi ontem. E devo dizer que, em certa medida, fiquei desiludido. Não estava mesmo à espera de um amadorismo destes.

Mas deixemo-nos de temas batidos, dos quais só não sabe quem não quer, e passemos ao tema que nos traz cá hoje. Depois de muitos meses de publicações sincronizadas, em que a página Trofa Digital republicava, ipsis verbis, publicações da página de Facebook da autarquia, com poucos minutos de diferença, chegando a haver pelo menos um caso em que as duas publicações estão separadas por apenas um minuto, o impensável aconteceu e os papéis inverteram-se. Pelas 11:35h do dia de ontem, a página Trofa Digital fez uma publicação sobre o Trail Trofa, organizado pelo Team Lantemil. Quatro horas e uns trocos depois, às 15:58h, o Facebook da Câmara Municipal da Trofa publicou a mesma imagem, com o exacto mesmo texto, palavra a palavra, virgula a virgula, mudando apenas o título. Os textos são exactamente iguais.

Como diria Luís Filipe Vieira, que passou-se? A Câmara Municipal da Trofa a plagiar uma página de Facebook que maltrata frequentemente a língua portuguesa? Não me digam que a autarquia não tem um elemento capaz de escrever um simples texto sobre um tema destes, sem ter que recorrer ao antro da aldrabice crónica! Ou será que as publicações foram ambas agendadas, após o gabinete de comunicação do município ter partilhado a publicação com a página, acabando a Trofa Digital por se antecipar à autarquia? Ou aindam querem ver que o gabinete de comunicação da CM da Trofa tem um colaborador em part-time na Trofa Digital, e que o rapaz ou rapariga se descuidou? Era grave, muito grave, mas ajudaria a explicar os muitos casos de sincronização que ambas as entidades apresentam na rede social. Seja lá o que tiver sido, uma coisa é certa: eles estão bem articulados. E essa amizade já não dá para esconder. É oficial: o gabinete de comunicação da CM da Trofa colabora com uma página de Facebook que usa e abusa do plágio, da censura e do sensacionalismo, e que passa a vida a mentir. E isto diz muito mais sobre quem manda na CM da Trofa do que quem manda na Trofa Digital. Isto para o caso de não serem as mesmas pessoas, claro.

Foram vários os leitores deste blogue, alguns deles meus amigos, que me disseram na cara, por mensagem privada ou em comentários a publicações que eu perdia muito tempo com a página Trofa Digital. Que não valia a pena. Compreendi sempre o argumento. Aceito-o. Mas sempre lhes disse também que existia uma razão muito forte para a minha alegada perda de tempo. E a razão é simples. É que, depois da fraude que se revelou ser o Correio da Trofa, um projecto editorial umbilicalmente ligada à máquina de campanha que levou Sérgio Humberto ao poder desde o primeiro momento, e que atravessa agora uma fase de decadência, que já nem a periodicidade da edição em papel respeita há vários meses, descobrimos agora que a relação que liga o executivo e a coligação ao pseudo-orgão de comunicação social Trofa Digital é mais estreita do que imaginávamos.

E o problema aqui está longe de ser o simples facto de a autarquia colaborar com uma página de Facebook. O problema reside num conjunto mais alargado de factos: o facto de ser uma página fez campanha pela coligação PSD/CDS-PP, com apelos ao voto que não são permitidos à imprensa convencional, o facto de que, em grande parte do seu tempo, se dedica a republicar o que aparece na página da autarquia, muitas vezes com diferenças de tempo que revelam uma clara articulação entre as duas partes, o facto de vermos elementos ligados à página integrados em comitivas oficiais em eventos públicos, o facto de existir colaboração directa, sob diferentes formas, entre representantes eleitos pela coligação e a página Trofa Digital e o facto de vermos, não raras vezes, a página Trofa Digital a fazer propaganda pela coligação e por alguns dos seus líderes.

A acrescentar a todos estes factos, importa ter em consideração um outro conjunto de factos, cada qual deles, isoladamente, motivo suficiente para que um representante eleito sério e com vergonha na cara nunca entrasse em parcerias com uma entidade como a página Trofa Digital. O facto de fazer uso da censura, algo que de resto não deve causar grande celeuma junto do seu parceiro, o facto de recorrer ao plágio, o facto de literalmente mentir aos seus leitores e potenciais anunciadores publicitários com publicidade não contratualizada com entidades como a Vodafone e o Intermarché (e, desconfio, o mesmo se passará com a EDP, mas em breve descobriremos), o facto de criar perfis falsos apresentados como jornalistas, técnica que ficou célebre com o estranho caso de Paulo Carvalho, e o facto de promover ataques pessoais cirúrgicos, ainda que quase sempre mal-amanhados, contra pessoas e entidades incómodas para políticos pouco dados à liberdade de expressão. Um nojo, mas um nojo tipicamente político-partidário de quem não olha a meios para garantir o poder.

Mas a verdade, e isso é agora mais claro e evidente do que nunca, é que existe uma parceria entre a Câmara Municipal da Trofa, através do seu gabinete de comunicação, e a página Trofa Digital. E quem é o responsável máximo pela comunicação na autarquia? Quem é o membro do executivo que tem a última palavra sobre temas relacionados com a comunicação da Câmara Municipal da Trofa? Se a sua resposta foi Sérgio Humberto, acertou em cheio. Se não chegou lá, tenha o leitor a bondade de regressar ao topo deste já longo texto para confirmar por si próprio. A imagem foi retirada do site da autarquia, não obstante o presidente ser coadjuvado nesta matéria pelo vereador Renato Pinto Ribeiro, que de resto tem um passado ligado à comunicação social local. Querem ver que se cruzou na Rádio Trofa com Ricardo Teixeira, o “antigo director da antiga página Trofa Onlineque continua a fazer publicações em nome da página?

Não acredito que a generalidade dos militantes das concelhias trofenses do PSD e do CDS-PP se revejam neste tipo de práticas. Conheço bastantes, alguns deles eleitos e reeleitos pela coligação, que se revelam tão chocados como eu. Que não acreditam na legitimidade deste tipo de esquemas. Que as consideram repugnantes. Que sentem nojo. Mas os factos são o que são. Por muito que alguns procurem subterfúgios cobardes, usando posições de poder para promover a desinformação, a manipulação emocional dos seus pares, a instigação do medo, do ódio e, por vezes, da violência. Não os devemos temer. Somos livres e ainda vivemos numa sociedade onde a liberdade de expressão é um direito de todos, não apenas de uma elite caquética e ultrapassada, arrogante demais para achar que nos pode tratar a todos como parvos.

Não pode.

 

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Sobre o caso Trofa Online/Trofa Digital

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João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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