Trofáguas, ajustes directos e coincidências que deixam um tipo a pensar

por João Mendes 0

Para uma empresa pública que se quer fechada há tanto tempo, a Trofáguas ajusta directo forte e feio. Fora o resto que fica de fora desse grande radar dos contratos públicos que é a plataforma Base. Desde que este executivo tomou posse em 2013, tendo posteriormente nomeado nova chefia para a empresa, a Trofáguas contratualizou prestações de serviços no valor 592.214,18€, 728.423,44€ se lhe acrescentarmos o valor do IVA. Muito dinheiro para uma empresa que tantos políticos deste concelho condenaram à morte, mas que teima em sobreviver, ou não fosse ela um viveiro de boys e girls partidárias de longa data.

Muitos dos fornecedores são nossos velhos conhecidos, como o advogado gaiense Francisco Bolota Belchior, que Sérgio Humberto contratou para assessorar a autarquia mal se sentou na cadeira do poder, ou as construtoras Dacop e Abel Pinheiro dos Santos. Outros, como a empresa Formato BIN, que desde que o actual executivo iniciou funções viu entrar nos seus cofres 310 mil dos 728 mil euros (cerca de 43% do valor total dos contratos públicos assinados pela Trofáguas durante a permanência do executivo Sérgio Humberto no poder) são estreias absolutas por terras trofenses. E que grande e proveitosa estreia!

Porém, no meio de todos estes fornecedores, uns mais conhecidos que outros, há um que se destaca dos restantes, por configurar uma daquelas “particularidades” à moda da Trofa a que já assistimos no passado. Trata-se da empresa Gruun Unipessoal, Lda. Não que a Grunn tenha recebido uma pipa de massa dos nossos depauperados cofres públicos, que, apesar da propaganda, ainda se encontram a braços com uma dívida gigantesca e têm nos elevados impostos municipais um dos seus principais balões de oxigénio. Trata-se, porém, de um caso raro, que me trouxe imediatamente à memória a história da associação Equestrian Events, que em poucas semanas passou de inexistente a organizadora dos eventos equestres da Feira Anual da Trofa, com as particularidades que se lhe conhecem.

O que tem, então, esta empresa de especial? Simples: em primeiro lugar, foi criada a 12 de Dezembro de 2017. Uma empresa jovem, portanto. Em segundo lugar, tem apenas um contrato registado na plataforma Base. Com quem? Com a Trofáguas. A terceira particularidade é que o contrato em questão foi assinado apenas um mês após a criação da referida empresa. A quarta diz respeito à modalidade do contrato: ajuste directo. A quinta e última particularidade diz respeito ao valor do contrato: 74,990,00€, o que é uma grande pontaria, porque mais dez euros e um cêntimo e a Trofáguas lá teria que se dar à maçada de abrir um concurso público. Nada mau para uma empresa com um capital social de apenas 1 euro.

Como é que uma empresa recém-criada surge no radar da empresa pública Trofáguas, um mês após a sua criação, e consegue, através de um ajuste directo mesmo à justa, evitar a chatice que é a abertura de um concurso público? E longe de mim querer pôr em causa a competência e qualidade da Gruun. Até porque nada sei sobre uma empresa que nem cinco meses tem e da qual nunca tinha ouvido falar. Mas há coincidências que fazem um tipo pensar. Coincidências que, no tempo da outra senhora, dariam imediatamente origem a panfletos anónimos, escritos por políticos cobardes que se escondiam atrás de papéis, e que hoje se escondem por trás de testas-de-ferro descartáveis e perigosos. Há coincidências fantásticas, não há?

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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