BeLive: o estranho caso da organização de 2016

por João Mendes 0

Recentemente, trouxe a este espaço o tema da organização do BeLive, especificamente o facto de, à semelhança do que acontece noutros eventos locais orientados para os mais jovens, ser (quase?) sempre organizado pela mesma empresa, a Gabba Produções.

Nas pesquisas que fui fazendo, porém, verifiquei que a Gabba Produções não surge como entidade organizadora da edição de 2016, organização essa que foi atribuída a uma empresa sediada em Coimbra, de seu nome Ritmos Lendários.

Até aqui, nada de estranho. Aliás, a presença de outra empresa, num tabuleiro que parece un exclusivo da Gabba Produções, chega a ser refrescante. Porém, ao visualizar os diferentes cartazes, apercebi-me de um dado estranho, que poderá ser verificado na imagem que abre estas linhas. É que, apesar de não ter sido a escolhida para a edição de 2016, o logótipo da Gabba Produções também figura no cartaz do BeLive de 2016, onde não existe uma única referência à entidade que contratualizou o serviço com a CM da Trofa, a empresa Ritmos Lendários.

O que quer isto dizer? Será a Ritmos Lendários uma espécie de subsidiária da Gabba, que naquele ano deu seguimento à frutífera parceria entre o executivo Sérgio Humberto e a Gabba Produções? Se não é, o que faz ali o seu logótipo, quando o logo da entidade que oficialmente organizou o evento não está lá?

Caso estejamos perante uma situação em que a Ritmos Lendários é, efectivamente, uma subsidiária da Gabba Produções, significa que os números apresentados no texto anterior crescem significativamente. Significa que, durante o consulado da coligação no município e na freguesia de Bougado, a Gabba facturou não 210.143,40€, mas 251.644,40€, quase 310 mil euros, se lhe acrescentarmos o valor do IVA. E significa que a Gabba Produções não organizou quase todos os BeLive. Organizou-os todos.

Ficam no ar, a meu ver, duas questões. A primeira tem a ver com o porquê de o logótipo da Gabba Produções figurar no cartaz de 2016, apesar de, oficialmente, nada ter a ver com a organização desse ano. A segunda é: se a Gabba foi a empresa escolhida para o certame de 2016, qual é o papel da Ritmos Lendários em todo o processo? É estranho, eu sei, mas deve haver uma excelente explicação para este estranho caso. Como sempre...

 

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João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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