Rota dos Bares da Trofa: Entrevista Nº 2 - MALTE TABERNA

por A. Grevy 0

Ficha de Apresentação:

Proprietários: Marina Vila e Fernando Flores Geração

Género: Bar de Tapas / Taberna Moderna

Horário: Dom. a Quinta 12h à 1h

Sextas, Sábados e Vésperas de Feriado: 12h às 3h

Fumadores

https://www.facebook.com/malte.taberna/

A mais ou menos 5 minutos da estação da Trofa encontramos o Malte Taberna. O projeto de Marina Vila e Fernando Flores Geração é já uma referência da terra. Como mencionado na primeira entrevista desta rubrica, é preciso muito mais que vontade para conseguir fazer singrar, nos dias que correm, bares e afins, muito mais quando envoltos num tema específico. O Malte Taberna, aquela linda “casinha amarela” na Avenida Paradela, parece ter posto a fórmula secreta em prática e foi sempre a crescer desde aí.

Desde as cervejas artesanais aos cocktails, passando pelas maravilhosas tapas que teimam em aguçar o apetite no decorrer desta entrevista, o Malte tem tanto de aconchegante como de erudito: as pessoas emanam conforto enquanto têm experiências verdadeiramente culturais, mesmo que não se apercebam disso.

A esplanada é um mimo! Parece um cantinho da Ribeira do Porto ou de um qualquer Bairro lisboeta. O Verão tem andando inconstante, mas só de olhar para a esplanada apetece ler um livro ali sentada, a beber uma cerveja apropriada, recomendada por profissionais.

E foi no meio da azafama de uma terça à noite – tinha acabado a bola e a enchente pós jantar foi evidente – que entrevistei o Flores. Verdadeira entrevista em movimento, repleta de energia e de “dá-me um minuto”, com “bocas” amorosas da Marina pelo meio.

1 – Olá Flores. Obrigada por aceitares o meu convite para esta entrevista.

Como era o Malte antes de ser Malte?

F.: Olá! O prazer é nosso! É uma ótima iniciativa! Bem, antes de ser Malte era o Pesca Sub Marina. Era meio caminho entre um irish pub e um café. Tinha uma fronteira pouco definida. Não era tão abrangente, era mais “ponto de encontro de amigos”.

2 – Quanto tempo trabalharam aqui com o conceito anterior?

F.: O Pesca abriu em Agosto de 2009. Inicialmente era um projeto da Marina com um sócio e amigo, conhecido como Pesca (daí o nome). Eu juntei-me à Marina em Abril de 2012 e trabalhamos nesse formato até Abril de 2014.

3 – O que vos levou a mudar o conceito e o nome?

F.: Queríamos que o projeto fosse mais abrangente, mas o grande impulso veio de problemas que tivemos com o ruído. Eram necessárias obras e melhorias. Despois de vermos outros locais, acabamos por decidir continuar neste espaço, fazendo as mudanças imprescindíveis para que o projeto fosse viável. A mudança de nome deveu-se a uma intenção de marcar uma viragem e assumir de corpo e alma a aposta num conceito de casa especializada em cerveja artesanal. Para além disso, o nome anterior era muito fechado, uma “inside joke”.

4 – De onde surge o vosso gosto/interesse pela Cervejaria?

F.: Creio que influenciada pelo trabalho de cerveja do antigo Via Férrea, a Marina e o Pesca apostaram em algumas referências de cerveja quando abriram o Pesca. Quando nos juntamos decidimos cimentar essa aposta, aumentando o número de referências disponíveis, seja em garrafa ou à pressão. As pessoas foram aderindo e dando um feedback positivo, e por isso fomos acrescentando ainda mais referências. Por norma, as pessoas que apreciam este conceito valorizam o nosso trabalho, o que é muito gratificante e motivador. Para além disso, era um conceito que não existia na Trofa, pelo menos com este alcance.

5 – Quais são os desafios maiores?

F.: É convenceres-te a ti próprio a todo o momento que estás no caminho certo, com uma aposta num serviço mais profissional, tendo consciência que o nível de exigência e a motivação tem que vir de dentro de nós mesmos. Quando trabalhamos por conta própria não há mais ninguém a “empurrar”, temos de ser nós, com as responsabilidades que assumimos.

6 – Como descreverias o vosso tipo de clientes?

F.: É uma mescla. A intenção era que o Malte fosse uma casa que não excluísse ninguém e creio que isso tem sido conseguido. Eu diria que a faixa etária predominante será entre os 25 e os 35/40 anos, mas tanto podem vir os avós como os netos. Acredito que, de uma maneira geral, os clientes apreciam o nosso trabalho e o projeto.

7 – O que é que tem garantido o sucesso até à data?

F.: Ainda temos muito que crescer, muito que trabalhar. Não é uma área de negócio estática, o que obriga a uma renovação constante. A nossa aposta na cerveja conseguiu colocar a Trofa no mapa da cultura cervejeira nacional. A isso juntamos a comida, que em breve será também um elemento de diferenciação, derivado a algumas alterações que iremos realizar em breve. Procuramos encontrar o nosso espaço. Não queremos ser melhores do que ninguém, mas já dizia Agostinho da Silva: “Para duplicar já existem os carimbos.”

8 – Fala-me do staff e o que achas que cada pessoa contribui para o conceito do Malte.

F.: Neste momento somos quatro pessoas a trabalhar. A Marina é a alma e o coração do Malte Taberna. É o motor que faz tudo andar. Eu ajudo-a a projetar a nossas ideias, e ela ajuda-me a  materializar. Depois temos a Lurdes que é sempre simpática e tem um espírito muito jovial. E também a Carina que é incansável e muito transparente. Temos todos ainda muito a aprender.

9 – Têm outros projetos para o Malte e/ou para além do Malte?

F.: Para o Malte, pretendemos aprofundar a aposta no conceito de cozinha informal. Em breve, vamos criar condições a nível de infraestruturas e do serviço para que isso seja uma realidade. Nesse sentido, vamos criar uma área para não fumadores. Temos ainda um pequeno projeto de distribuição de cerveja, que está agora a arrancar de uma forma mais consistente, com a ajuda da Margarida e do César. Com tudo isto, esperamos conseguir a estabilidade necessária para vir a ter filhos.

10: Uma mensagem para os clientes atuais e outra para clientes futuros.

F.: Essa é a pergunta mais difícil! Para os clientes atuais queremos agradecer a compreensão e pedir desculpa por às vezes não conseguirmos corresponder às expectativas. Valorizamos muito a opinião de quem nos visita, e precisamos de opiniões e sugestões sinceras para podermos crescer e melhorar. Quanto aos potenciais clientes, convidamo-los a visitarem-nos, para que fiquem a conhecer o espaço e os nossos produtos, porque creio que é um projeto que vale a pena descobrir.

Obrigada Flores e Marina! Desejo-vos o melhor para o futuro e felicito-vos pelo sucesso alcançado até agora!

F.: Agradecemos a visita e parabéns pela ideia e iniciativa de darem a conhecer o trabalho dos bares da Trofa.

A. Grevy

Sou das histórias e gosto delas. As que marcam a diferença, as que nos marcam pela diferença e as que primam pela verdade. Quando se tem a sorte de se viver dentro de histórias imaginárias as dores deste mundo, que ele causa, desaparecem, mas não é com essas nem dessas que vivo. Sentimentalista, ativista e pro tudo aquilo que sem magoar ninguém, nos faça felizes! Escrevo porque não tenho outro remédio, porque numa página em branco, existe o conforto e a excitação de um mundo inteiro de possibilidades! Escrevo porque o “papel” não julga, ampara e “ouve” tudo aquilo que me vai cá dentro… e é tanta coisa!

Migrada do Porto para a Trofa em 2015, e sua frequentadora há quase duas décadas, é a esta terra que agora chamo casa! E é com imenso prazer que me junto a uma comunidade de autores que respeito muito! Aos que embarcarem nesta viagem comigo, agradeço e despeço-me com uma citação do meu autor americano preferido – Paul Auster: “As histórias só acontecem àqueles que estão dispostos a contá-las”

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