Fico a aguardar, senhor presidente

por João Mendes 0

Questionado na Assembleia Municipal da passada Quinta-feira por um participante habitual do espaço dedicado à intervenção do cidadão comum trofense, que instou o presidente da câmara a reagir ao texto que escrevi para a última edição do jornal O Notícias da Trofa, republicado aqui no ...e a Trofa é minha, Sérgio Humberto afirmou que, resumindo e concluindo (podem ver a intervenção na íntegra no vídeo da transmissão da AM, AQUI), haverá consequências.

Quero antes de mais nada deixar aqui muito claro que não retiro uma virgula ao texto que escrevi. E que estou totalmente disponível para comparecer perante a justiça portuguesa e provar a veracidade de cada palavra contida no referido texto. Aliás, eu próprio estou a preparar um extenso dossier para entregar ao Ministério Público e à Polícia Judiciária, pelo que estou perfeitamente à vontade para contribuir para o bom funcionamento da justiça portuguesa.

Apesar dos sinais dos tempos, a generalidade da classe política continua a demonstrar grandes dificuldades em perceber que um “não-político” possa interferir no espaço público de debate. Que possa escrutinar contas e decisões. Esquecem-se que os tempos são outros, e que, com os seus defeitos, a democracia permite-nos a TODOS ter liberdade de expressão. Liberdade para denunciar o que entendemos estar mal, o que é eticamente reprovável, o que viola a lei. Esquecem-se que os tempos são outros e que nem todos se escondem por trás do panfletismo anónimo ou de cronistas encomendados em jornais de fachada, tema ao qual irei em breve.

E porque a intervenção sociedade civil exterior à esfera político-partidária incomoda quem acha que o debate público é um exclusivo das elites políticas, assistimos no passado dia 13 de Setembro a um momento raro e insólito, quando um antigo cronista da fraude jornalística criada pela campanha eleitoral que levou Sérgio Humberto ao poder em 2013 foi à Assembleia Municipal, para, entre outras coisas, pedir consequências para a minha pessoa. Irónico tratar-se de um antigo cronista do tal jornal, do qual vários antigos colaboradores, que trabalharam também na assessoria de imprensa à coligação Unidos pela Trofa, celebraram contratos com a CM da Trofa no valor de várias dezenas de milhares de euros; que esteve ilegal durante meses, tendo sido suspenso pela ERC; que teve na ficha técnica um director que, há data, desempenhava funções de assessor político do PSD de Santo Tirso, ilegal à luz da legislação que regula a imprensa portuguesa; que teve crónicas de ataque pessoal violentas, onde através da mentira se difamou a vida privada, assinadas por uma cara encomendada. Ainda bem que nunca desci a este nível.

Quanto ao momento protagonizado por Sérgio Humberto, foi um número interessante. Gostei particularmente das falhas de imagem e cortes de som da transmissão, e de terem filmado os representantes e a plateia, enquanto o autarca lia o seu discurso. Gostei de saber que vem aí outro jornal, agora que o Correio da Trofa já nem ligado ao ventilador sobrevive, e que será controlado pela elite política local. Diz-nos muito sobre a imparcialidade que terá e, suspeito, teremos repescagem de cronistas do Correio da Trofa. E gostei de ver o autarca, num exercício de contorcionismo político, a perder vários minutos a atacar-me, depois de ter começado por dizer que não valia a pena perder tempo com o assunto. Espero que não perca muito tempo para agir judicialmente. Terei muito gosto em colaborar com a justiça, em entregar-lhe a informação que possuo e em chamar uma série de testemunhas para que também elas contribuam para o esclarecimento do senhor presidente, do engenheiro Luís Pinheiro, de todos aqueles que preferem assobiar para o lado, apesar de saberem perfeitamente o que se passa neste concelho, e dos trofenses em geral. Fico a aguardar, senhor presidente. Os trofenses merecem saber a verdade.

Imagem via Demonstre

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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