Não hesite em dispor, Eng.º Luís Pinheiro

por João Mendes 0

Caro engenheiro Luís Pinheiro,

Foi com alguma surpresa que assisti à sua intervenção, no período de intervenção do público da Assembleia Municipal da passada Quinta-feira. Não por ter pedido consequências para a minha pessoa, um clássico entre os apoiantes mais fervorosos do actual executivo, mas pela forma como se referiu a este jornal, apesar de ter assinado várias crónicas num pasquim partidário, nascido de uma campanha eleitoral, com o qual inclusivamente colaborou durante o período em que foi cancelado pela ERC e em que o seu director, Miguel Ângelo Pinto, exercia funções de assessoria de imprensa junto do PSD de Santo Tirso, algo ilegal à luz da lei. Entre outras irregularidades.

Contudo, não me cabe a mim fazer a defesa d’O Notícias da Trofa. Existem pessoas devidamente credenciadas para o efeito. A mim cabe-me apenas a tarefa de responder pelos meus artigos, que, ao contrário daquilo que acontecia, vezes sem conta, no jornal partidário com o qual o senhor colaborava, não são encomendados ou escritos por pessoas que usam testas-de-ferro para o efeito. É por esse motivo que tanto posso criticar como elogiar o executivo. Que posso criticar quem o antecedeu, apesar de há anos não estar em funções. No fundo, caro engenheiro Luís Pinheiro, posso escrever o que bem me apetecer, porque não estou condicionado pela cartilha partidária que condicionou o defunto Correio da Trofa.

Depois de enunciar algumas passagens do meu texto, que considerou ofensivas para a honra e dignidade dos autarcas trofenses, o caríssimo Luís Pinheiro questionou-se sobre se esse artigo não estaria guardado há uns anos e se referia ao anterior executivo. Portanto, e repare bem na ironia, as palavras do meu artigo são, no seu entender, uma ofensa à dignidade e honra dos autarcas trofenses, mas já podem ser usadas para classificar os autarcas que o antecederam. Não é la muito coerente da sua parte, não acha, senhor engenheiro?

Contudo, notei que não deu igual relevância a outras passagens, nomeadamente aquelas que dizem respeito às dezenas de milhares de euros em ajustes directos contratualizados entre este executivo e as várias pessoas que trabalharam para a coligação e para o Correio da Trofa, ou ao épico caso de despesismo e eleitoralismo que no ano passado teve lugar na Quinta da Malafaia, e que este ano, para comprovar o carácter despesista e eleitoralista, não se repetiu. Será que não lhes fez referência por saber que nada mais reflectem do que a verdade? Fica a dúvida.

Não obstante, teria todo o gosto em sentar-me com o senhor, caro engenheiro Luís Pinheiro, para, num local, dia e hora à sua escolha, lhe demonstrar, factualmente, a veracidade de cada uma das acusações presentes no meu texto. Como aliás já tive oportunidade de lhe expressar por mensagem escrita, através da rede social Facebook. Isto se estiver disposto e preparado para encarar a realidade dos factos, claro está. Aproveitaria também para lhe mostrar as críticas que no passado fiz ao anterior executivo (muito saudadas por muitos daqueles que agora tecem acusações infundadas e absurdas, não raras vezes encomendadas, como bem sabe), bem como os vários elogios que já fiz a este executivo, apesar do negacionismo desonesto demonstrado pelo autarca Sérgio Humberto na resposta que lhe deu. Como estou convencido da sua independência, e de que não alinha com encomendas ou similares, acredito piamente que pretenderá ver as suas dúvidas esclarecidas. Porque contra factos, para aqueles que têm estômago para os encarar, não há argumentos.

Não hesite em dispor.

(originalmente publicado na edição nº 676 do jornal O Notícias da Trofa, de 20 de Setembro de 2018)

(originalmente

João Mendes

Radicalmente contra todas as formas de instrumentalização dos recursos públicos em função dos apetites partidários e com um apetite insaciável pela desconstrução de mentiras e outros embustes que nos são diariamente oferecidos pelas elites dirigentes, a minha luta é por um concelho da Trofa mais transparente, mais íntegro e no sentido da evolução contínua, onde o poder cuja função é servir-nos pode e deve ser questionado. Das pessoas para as pessoas, sem medo nem clientelas.

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