As mulheres e a violação

por Alexandra Santos 0

Muito se tem dito e escrito sobre esta questão do Cristiano Ronaldo. Penso que tenho o dever de expressar a minha opinião.

O Cristiano Ronaldo é um herói nacional. O mundo conhece-o e é uma figura que representa o nosso país. Todos aqueles que o conhecem dizem que é um ótimo ser humano, trabalhador, cavalheiro, generoso, tendo já participado em várias ações beneméritas. Por isso, quero acreditar, todos nós queremos, que ele está inocente.

No entanto, a defesa que tem sido realizada por muitos portugueses deixa-me atónita e incrédula. Venho aqui esclarecer alguns aspetos que todos deveriam saber: dançar e sorrir para um homem não é motivo para ser violada; entrar em casa ou no quarto de um homem não é motivo para ser violada. Mesmo que uma mulher entre no quarto de um homem com a intenção de ter relações sexuais, pode desistir a qualquer momento. Se a palavra “Não” é proferida, mesmo que os dois estejam nus, na cama, o homem tem que parar. Mesmo se a relação sexual já tiver sido iniciada com o consentimento da mulher, se durante a mesma ela expressar o seu desagrado e disser “Para”, o homem tem que parar. Qualquer coisa que aconteça entre duas pessoas tem que ter o consentimento dessas duas pessoas e se tal não acontecer estamos diante de uma violação. E nada, mesmo nada, pode justificar uma violação, nem mesmo se as duas pessoas forem casadas.

Outro aspeto que todos deveriam saber: uma mulher não é uma prostituta por se vestir de forma sexy, por trabalhar numa discoteca ou por gostar de dançar. Mesmo que fosse uma prostituta, as regras mantinham-se as mesmas: se a mulher diz “Não” ou “Para” o homem tem que parar.

E agora dirijo-me unicamente às mulheres:

Todas nós merecemos respeito! Se sofreste algum tipo de abuso ou conheces alguém que sofreu, não tenhas medo de denunciar!

 

Fotografia via Blog de uma Mulher que corre com os lobos

Alexandra Santos

Alexandra Santos nasceu em 1980, em S.Romão do Coronado, concelho da Trofa, onde ainda reside. Licenciou-se em Ensino de Português e Inglês pela Universidade do Minho em 2003, tendo trabalhado sempre, a partir daí, na área da educação. Devido ao gosto pela escrita, tornou-se igualmente escritora, sendo a autora do livro de poesia Palavras Sussurradas.

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